O mercado de pagamentos no Brasil registra cerca de 400 transações por segundo, totalizando R$ 1,3 trilhão por ano. Esse volume define o ponto de partida para avaliar mudanças no setor e a origem das novas dinâmicas comerciais.
A história recente mostra transição de um duopólio, com Cielo e Rede dominando até 2010, para um ambiente mais fragmentado após medidas do Banco Central e do Cade. Entradas de instituições com terminais e serviços digitais alteraram participação e tarifas.
Este artigo tem por objetivo mapear como instituições financeiras, ao oferecerem terminais próprios, modificaram preços, produtos e relacionamento com estabelecimentos. Serão analisadas métricas como participação de mercado, margens e ciclos de monetização.
Serão apresentados atores relevantes — bancos com marcas de adquirência, entrantes como PagBank e players de software — e impactos esperados para PMEs em liquidez, tarifas e acesso a ferramentas digitais. Para detalhes operacionais sobre impressões e recibos, consulte a seção sobre impressão de comprovante.
Panorama do mercado de pagamentos no Brasil: do “dinheiro de plástico” ao domínio das maquininhas
Em volume anual, transações com cartão atingem R$ 1,3 trilhão e mantêm alta frequência nas vendas do varejo.
Volume transacionado e adoção: cartões a caminho de superar o dinheiro até 2027
O ritmo atual registra cerca de 400 transações por segundo. Projeções indicam que, até 2027, cartões devem superar o dinheiro físico como forma preferida de pagamento pelo público.
Do duopólio à competição: como a regulação abriu espaço para novas empresas
Até 2010, Cielo e Rede respondiam por mais de 90% do mercado. Após medidas do Banco Central, a fatia caiu para pouco mais de 70%.
| Ano | Métrica | Valor | Observação |
|---|---|---|---|
| 2010 | Participação | >90% | Duopólio Cielo/Rede |
| 2017 (mês: julho) | Regulação | Fim de exclusividades | Interoperabilidade de bandeiras |
| Atual (ano) | Volume anual | R$ 1,3 tri | ≈400 tx/s |
| Curto prazo | Redução de custo | ~5% | Expectativa inicial: 25% |
A regulação permitiu entrada de novos competidores como PagSeguro e Stone. Efetuou-se alteração na estrutura de captura de valor, influenciando preços, serviços e interoperabilidade técnica.
Do duopólio à pluralidade: Cielo, Rede e o papel dos bancos tradicionais
Até meados da década passada, a aceitação de cartões exigia múltiplos contratos e terminais por estabelecimento.
Quebra de exclusividades de bandeiras e o efeito nas tarifas aos comerciantes
As máquinas da Cielo (antiga Visanet) aceitavam apenas Visa, e as da Redecard (atual Rede) apenas Mastercard. Essa forma de exclusividade obrigava comerciantes a operar mais de um equipamento.
A expectativa regulatória previa redução de custos próxima de 25% para lojistas. A queda observada após a mudança foi de aproximadamente 5%.
Elo e Hipercard: a “brecha” que preservou participação até 2017
O Banco do Brasil e o Bradesco, em parceria com a Caixa, criaram a bandeira Elo. O Itaú adquiriu a Hipercard.
Essas bandeiras mantiveram exclusividade com Cielo e Rede até julho de 2017, quando BC e Cade encerraram a prática. A decisão alterou a participação relativa entre adquirentes e a dinâmica de aceitação de cartões.
“Maior interoperabilidade reduziu a necessidade de múltiplos terminais e simplificou processos operacionais para comerciantes.”
Estrutura de capital e composição societária das companhias sustentou a estratégia de exclusividades por tempo relevante. Com a pluralidade, empresas do ecossistema ajustaram políticas de liquidação e tarifas.
Bancos tradicionais competem ao lançar suas maquininhas
Grandes instituições financeiras vêm integrando terminais de pagamento aos seus canais para ampliar serviços empresariais.
Reintegração da Rede ao Itaú e a busca por fidelização de PMEs
O Itaú Unibanco consolidou a liderança da Rede ao reintegrá-la aos canais do banco. Essa ação visa aumentar o market reach e elevar a retenção de clientes PME.
A estratégia prevê oferta combinada de maquininha com conta, crédito e antecipação. O objetivo é migrar parte da monetização do dispositivo para serviços bancários integrados.
Flexibilidade com capital fechado: ofertas que extrapolam a maquininha
Bradesco e Banco do Brasil avaliam retirada de capital aberto da Cielo para ampliar flexibilidade comercial. Em regime de capital fechado, a companhia pode precificar pacotes que priorizam relacionamento bancário.
| Movimento | Objetivo | Impacto operacional | Resultado financeiro |
|---|---|---|---|
| Reintegração Rede‑Itaú | Fidelizar PMEs | Integração canais e vendas | Aumento de receita por cliente |
| Fechamento de capital (Cielo) | Flexibilizar ofertas | Menor pressão trimestral | Capacidade de pacote integrado |
| Entrantes (ex.: PagBank) | Recomposição de margens | Ampliação de portfólio digital | Lucro recorrente R$ 1,77 bi (2023) |
A estratégia de cross‑sell combina crédito, antecipação, conta e serviços. Isso transforma a relação com empresas e altera o mix de receita da companhia de adquirência.
Os efeitos no resultado consolidado dependem da velocidade de migração do fluxo de caixa do dispositivo para serviços. A competição por share of wallet segue como motor das decisões de produto.
Estratégias em choque: grandes bancos versus entrantes digitais
A competição no setor de pagamentos ocorre por diferenciação de produtos e por alcance comercial. Cada companhia adota uma combinação de preço, serviço e integração para atrair clientes.
PagSeguro/PagBank: da “Moderninha” à conta digital integrada
PagSeguro entrou no presencial em 2014 com a Moderninha sem aluguel, priorizando micro e pequenos negócios e vendedores informais.
O IPO em Nova York, em 2018, trouxe mais de US$ 2 bilhões, ampliando capacidade de investimento. Em seguida, o PagBank lançou conta digital com campanha “fuja da bancocracia” e passou a oferecer pagamentos, recargas e crédito.


Stone: serviços de gestão e relacionamento
Stone posicionou-se por meio de software de gestão, atendimento ao lojista e integração com PDV. A proposta busca converter uso da maquininha em relacionamento continuo.
SafraPay: foco em grandes varejistas
SafraPay, ligada ao Banco Safra, segmentou grandes varejistas oferecendo pacotes tarifários competitivos. O objetivo é capturar participação de mercado de incumbentes por volume e liquidez.
- Comparação de valor: aluguel, preço por transação, liquidez e integração de software.
- Áreas de competição: PDV, analytics, crédito e conciliação.
- Resposta dos clientes: maior retenção quando pagamento e conta estão integrados.
O papel do banco brasil na governança e controle histórico de adquirência mantém referência institucional no arranjo competitivo. Para análise de taxas e comparativos, consulte estudo e um guia prático.
estudo sobre estrutura de mercado e guia de taxas e comparativos oferecem dados complementares.
Preço, margens e rentabilidade: os efeitos da nova competição
Decisões recentes sobre antecipação de recebíveis mudaram a dinâmica de preço e geração de caixa no setor de pagamentos.
Eliminação de taxas de antecipação: resposta da Rede e da Cielo
A Rede eliminou a cobrança pela antecipação de recebíveis. A Cielo adotou medida similar em sequência.
Esse ajuste reduziu receita direta por transação e pressionou margem em terminais e serviços associados.
Oscilações de market share e ciclos de rentabilização
Relatórios de resultado mostraram reações distintas. A Stone registrou aumento de 600% no lucro trimestral e 60% em volume de pagamentos.
A PagSeguro reportou lucro 57% maior e expansão de pontos de venda em 70%, porém houve queda no valor de mercado dessas empresas.
O PagBank processou R$ 113,7 bilhões no 4T23 (+21% a/a) e indicou guidance de crescimento de lucro líquido de até 21,5% e TPV de até 16% para o ano seguinte.
| Movimento | Efeito imediato | Métrica citada | Implicação |
|---|---|---|---|
| Eliminação de taxa | Redução de preço para comerciantes | Margem operacional | Pressão sobre lucro por transação |
| Crescimento de volumes | Compensação por escala | TPV trimestral | Maior caixa operacional |
| Reação do mercado | Queda no valor de mercado | Preços das ações | Revisão de múltiplos e projeções |
A antecipação sem tarifa altera a preferência dos estabelecimentos por provedores. Isso afeta captação de clientes conforme sensibilidade a preço.
O efeito sobre o dinheiro disponível no caixa do comerciante pode ser imediato, mas a recomposição de margens exige combinação de produtos e volume por parte da companhia.
Do hardware ao software: carteiras digitais, QR Code e a disputa pela relação com o cliente
Carteiras digitais e QR Code deslocam parte da operação de pagamento do equipamento físico para o aplicativo.
Iti e PagBank: integração de pagamentos e serviços
O Iti do Itaú opera sem vínculo obrigatório com conta corrente. Aceita QR Code, cobra 1% por operação do lojista e oferece liquidação imediata.
O PagBank combina conta digital, aceitação de cartões, recargas e crédito. A campanha “fuja da bancocracia” posiciona a conta como alternativa integrada para o público.
Impactos na experiência, custos e segurança
O movimento reduz a dependência da maquininha e altera a estrutura de custos para o comerciante. QR Code tende a diminuir tarifas fixas por ponto de venda.
A adoção depende de percepção de segurança e facilidade de uso. Atrito de onboarding, interoperabilidade e requisitos de compliance condicionam a escala e a frequência de uso pelos clientes.
| Plataforma | Principal recurso | Tarifa para lojista | Liquidação |
|---|---|---|---|
| Iti (Itaú) | QR Code | 1% por transação | Imediata |
| PagBank | Conta digital integrada | Variável por produto | Imediata ou padrão |
| Modelo tradicional | Terminal físico | Tarifa por transação / aluguel | Prazo estabelecido |
A competição desloca-se para ser a interface primária entre empresa e consumidor. Em cenário misto, cartões, carteiras e maquininhas podem coexistir, com cada canal atendendo segmentos distintos do mercado.
Para comparação de custos e opções com foco em custo-benefício, consulte melhor custo‑benefício.
Impactos setoriais: PMEs, nano e microempreendedores, e a inclusão financeira
A entrada de modelos sem aluguel ampliou o acesso a pagamentos eletrônicos entre microvendedores e trabalhadores informais. Esse movimento gera mudança no mercado de aceitação e na dinâmica de receita dos pontos de venda.
Desbancarizados e novos públicos: o potencial de democratização
Mais de 60 milhões de pessoas permanecem desbancarizadas no país, com renda anual estimada em R$ 665 bilhões. Esse universo representa um espaço significativo para digitalização de pagamentos.
O acesso a terminais baratos e a contas digitais permitiu que pequena empresa e negócios informais recebessem cartões. Em 2016, apenas 19% dos MEIs tinham conta PJ. A baixa penetração explica parte da origem do subatendimento nos últimos anos.
| Métrica | Valor | Efeito operacional |
|---|---|---|
| Desbancarizados | ~60 milhões | Ampliação de público endereçável |
| Renda anual | R$ 665 bi | Potencial de receitas para banco e fintechs |
| Conta PJ entre MEIs (2016) | 19% | Barreira à formalização financeira |
Executivos do PagBank relatam maior ativação de dispositivos, payback reduzido e queda de 50% nas perdas por fraude. Esses ganhos diminuem atrito de recebimento e simplificam conciliação para clientes nano e micro.
A combinação de pacotes de conta, pagamento e crédito requer políticas de preço total compatíveis com tíquete baixo. Capacitação e ferramentas de gestão podem acelerar formalização e produtividade. Para vantagens operacionais e de produto, veja os benefícios da maquininha.
Conclusão
Conclusão: a estrutura de adquirência mudou no período analisado. A concentração caiu de >90% para pouco mais de 70% após a regulação. O fim da exclusividade Elo/Hipercard em 2017 abriu espaço para pluralidade de maquininhas e provedores.
Em seguida, houve ajuste de preço: Rede e Cielo eliminaram taxas de antecipação, afetando margens. Carteiras digitais como Iti e PagBank deslocaram parte do ponto de relacionamento para apps. O PagBank reportou 6,5 milhões de clientes ativos em 2023, TPV de R$ 113,7 bilhões no 4T23 e lucro recorrente anual de R$ 1,77 bilhão.
A competição ocorre em camadas: hardware, software, crédito e dados. Para comerciantes, isso implica variação de custos, liquidez e acesso integrado a ferramentas de gestão. A estrutura acionária e o dono do ativo de adquirência influenciam tempo e estratégia de execução.
Para comparação prática de dispositivos e compatibilidade, veja quais maquininhas funcionam melhor com celular.
FAQ
O que muda quando bancos tradicionais passam a oferecer maquininhas próprias?
A oferta integrada altera a cadeia de valor dos pagamentos ao combinar captura de transações, conta digital e crédito para clientes pessoa jurídica. Isso pode reduzir a dependência de adquirentes independentes e permitir ao banco consolidar relacionamento com micro, pequenos e médios empreendedores por meio de produtos financeiros conectados à maquininha.
Qual o impacto dessa movimentação no mercado de pagamentos brasileiro?
A entrada de instituições financeiras amplia a competição entre empresas que atuam com captura e processamento de pagamentos. Em função disso, verificam-se ajustes em tarifas, em políticas de antecipação de recebíveis e em ofertas que combinam hardware, software e serviços financeiros. Também há implicações para participação de mercado entre Cielo, Rede, PagSeguro e outros players.
Como a regulação influenciou a abertura desse mercado?
Mudanças regulatórias que reduziram exclusividades de bandeiras e facilitaram o registro de novas adquirentes aumentaram a concorrência. Reguladores promoveram transparência tarifária e autorizações para instituições não tradicionais, permitindo que bancos e fintechs diversifiquem produtos e capturem lojistas antes atendidos por poucas empresas.
Quais foram os efeitos sobre tarifas e práticas de antecipação?
A maior competição levou algumas adquirentes a revisar políticas de antecipação e reduzir certas taxas cobradas de comerciantes. A resposta incluiu ofertas com antecipação gratuita em modelos específicos e negociações de tarifas conforme volume e perfil do lojista, afetando margens das empresas do setor.
De que forma a integração de conta digital altera a proposição de valor?
A conta digital permite ao comerciante receber vendas, gerenciar fluxo de caixa e acessar serviços como crédito, conciliação e gestão fiscal em um único ecossistema. Essa integração aumenta o potencial de retenção de clientes e cria novas fontes de receita para a instituição que oferece a solução.
Quais segmentos de clientes são mais afetados por essas ofertas?
Micro e pequenas empresas, bem como microempreendedores individuais, são os mais impactados devido à sensibilidade a custos de recebimento e à necessidade de serviços financeiros básicos. Grandes varejistas também são alvo, especialmente quando há negociações de tarifas e soluções de integração com ERP.
As carteiras digitais e QR Code representam ameaça às maquininhas físicas?
Tecnologias como QR Code e carteiras digitais podem reduzir a necessidade de terminais físicos em algumas transações, principalmente em pagamentos de baixo valor. No entanto, a aceitação pelo varejo dependerá de fatores como custo por transação, conveniência, integração com sistemas de gestão e preferência do consumidor.
Como essa evolução afeta a rentabilidade das empresas do setor?
A combinação de pressões tarifárias e investimentos em tecnologia pode comprimir margens de curto prazo. Ao mesmo tempo, a oferta de serviços complementares (contas, crédito, software de gestão) cria oportunidades para diversificar receitas e melhorar rentabilidade em horizonte mais longo.
Qual o papel de empresas como PagSeguro, Stone e SafraPay nesse cenário?
PagSeguro atua com produto integrado de maquininha e conta digital; Stone foca em serviços de gestão e relacionamento com lojistas; SafraPay direciona-se a grandes varejistas com ofertas customizadas e negociação de tarifas. Cada estratégia altera dinâmicas competitivas e segmentação de mercado.
Há riscos de concentração ou retrocesso competitivo com a entrada de grandes bancos?
A entrada de grandes instituições pode intensificar competição e, simultaneamente, fortalecer players integrados que combinam distribuição ampla e oferta financeira. O efeito final dependerá de comportamento concorrencial, regulação e capacidade das empresas menores de inovar em serviços e custos.
Como comerciantes devem avaliar opções de maquininhas e serviços integrados?
Devem comparar custo total de recebimento (tarifas, antecipação, aluguel ou compra do equipamento), funcionalidades de conta digital, integração com sistemas de gestão e oferta de crédito. A decisão deve considerar volume de vendas, mix de pagamentos e necessidades operacionais.
Que indicadores acompanhar para medir o sucesso dessas iniciativas pelos bancos?
Indicadores relevantes incluem participação de mercado em transações, ticket médio processado, taxa de adoção da conta digital vinculada, churn de lojistas, receita média por cliente e retorno sobre investimento em canais de aquisição e tecnologia.


















